Freestyle 3


Concurso de MC's - União vs. Exclusão

União vs. Exclusão é um projecto realizado em parceria com a Associação “IN” Realidades do Bairro da Rosa, em Coimbra, e que surge no contexto da luta contra a exclusão social. No âmbito deste projecto será realizado um concurso de MC’s, destinado a todos os residentes do Bairro da Rosa ou arredores, na cidade de Coimbra. O prazo limite para entrega de músicas é o dia 31 de Agosto e o regulamento pode ser consultado em: http://mcruze.blogspot.com/2009/06/coimbra-unida-contra-exclusao-social.html O vencedor terá oportunidade de participar no EP “União vs. Exclusão” juntamente com MC Ruze e outros MC’s da cidade de Coimbra.

Vídeo do projecto (concurso): http://www.youtube.com/watch?v=ytSNTMT9vhc Agenda:14 de Agosto (22h) – Apresentação do projecto “União Vs. Exclusão” com MC RUZE, MABRO, MIXEL e DJ SWEAT (Entrada: 5 euros)29 de Agosto – MC RUZE, Esplanada Central, Fnac Fórum Coimbra.

29 de Junho, 17h, FNAC Colombo

A Fnac e a Diálogo e Acção, no âmbito a Festa da Música, propõem um dia dedicado à culltura hip-hop abordando uma multiplicidade de vertentes. Uma apresentação que inclui a projecção de documentários, dança, workshops, debates e uma exposição com a polémica arte dos grafittis.

http://cultura.fnac.pt/Agenda/fnac-lisboa/fnac-colombo/2009/6/2/a-cultura-hip-hop-num-dia

O Bronx está a arder… em criatividade e inovação

Aqui fica o texto que publiquei recentemente na Revista Freestyle, a nova publicação portuguesa sobre Hip Hop.
Abraços

Abertura:
A visita ao berço da cultura Hip-Hop, no South Bronx em Nova Iorque, contada numa espécie de diário de bordo serve de mote para a primeira grande reportagem da Freestyle. Que local é este sobre o qual se escrevem tantas coisas? Que mudanças aconteceram desde os anos 70? Qual o papel do Hip-Hop nessas novas vivências? Que futuro terá uma cultura que, nascendo no South Bronx, tem expressão em todo o mundo?

Por: Pedro Calado (
pedroc75@gmail.com) \ Fotos: Pedro Calado e Tricia Wang

Texto:
Trabalhar em contextos de exclusão social tem feito despertar a minha curiosidade pelo Hip-Hop e querer saber cada vez mais sobre esta cultura. Vivenciar desde há alguns anos, através do Programa Escolhas, o ambiente dos muitos jovens que, a partir do Hip-Hop, se mostram cada vez mais empenhados em serem activos nas suas comunidades, fez-me aprofundar conhecimentos e, mais recentemente, visitar o berço da cultura no Bronx, em Nova Iorque.

Durante a década de 70, a frase geralmente associada a um dos bairros mais pobres dos Estados Unidos da América era: «O Bronx está a arder» e reflectia o total declínio urbano que se vivia naquela zona. No entanto, e contra todas as expectativas, seria nesse lugar que o Hip-Hop iria surgir, enquanto resposta criativa por parte de jovens que procuravam saídas contra violência, a exclusão social e a falta de oportunidades.

Compreender o porquê do Hip-Hop ter aparecido no South Bronx implica perceber a importância crescente do automóvel na sociedade americana, bem como a construção de diversas auto-estradas que ligaram o Bronx ao centro de Nova Iorque, alterando completamente a geografia humana de uma área da cidade, até aí predominantemente ocupada pela classe média.

Com o êxodo dessas populações para o novo subúrbio de Nova Iorque (Levittown em Long Island, onde predominam, ainda hoje, as típicas casas de madeira, com vedações e relvados verdejantes), agora servido por vias rápidas até ao centro da cidade, foram também deslocalizados os empregos nos serviços e na indústria. As casas que sobreviveram às inúmeras demolições foram ocupadas por imigrantes jamaicanos e hispânicos que vinham construir as novas estradas. No centro da cidade ficaram apenas os que não tinham capacidade para se «suburbanizarem», bem como as indústrias mais pesadas e poluentes. Mas ficou também a diversidade cultural desses novos nova-iorquinos que acabaria por originar o Hip-Hop

Esta mudança – o chamado white-flight – levou ao declínio do South Bronx. Em duas décadas perderam-se 600 mil postos de trabalho, o rendimento era 40 por cento da média nacional e o desemprego juvenil era quase de 60 por cento. A esperança desaparecia e, no início dos anos 70, existiam no South Bronx cerca de dez mil jovens envolvidos em gangs juvenis.

O que procuravam estes jovens? Um desejo básico de acolhimento, conforto e reconhecimento (ainda que conseguidos através das piores formas). Sentimentos comuns a qualquer ser humano, como nos ensina Afrikaa Bambaataa «Eu entendia os gangs como uma forma de comunidade. Como uma forma de te inserires numa estrutura organizada e que tinha objectivos».

Construindo a auto-estima
Mas essa comunidade, construída sobre identidades negativas, trazia prejuízos. Os jovens envolvidos em situações de enorme violência e apercebendo-se de que, antes do mais, essa violência era um ciclo que destruía as suas próprias comunidades, aos poucos foram procurando outras formas mais construtivas de encontrar o reconhecimento e a auto-estima.

Um episódio histórico registou-se a 7 de Dezembro de 1971, na que ficou conhecida como a Reunião de Paz na Hoe Avenue. No seguimento da morte de um membro dos Ghetto Brothers por um gang rival, naquele dia quase todos os gangs do South Bronx se reuniram no Bronx Boys Club. As cadeiras foram dispostas em círculo e, entre os representantes de cerca de 20 gangs do Bronx, estava um membro dos Black Spades chamado Afrika Bambaataa, então com catorze anos.

Após alguma tensão inicial, a conversa avançou para a perspectiva de que basicamente os gangs andavam a matar-se uns aos outros e que a solução para os problemas daquela zona nova-iorquina teria de passar por uma união. Melendez, dos Ghetto Brothers, concluiu dizendo: «Não somos mais um gang. Somos uma organização. Queremos ajudar os negros e os porto-riquenhos a viverem num melhor ambiente». Desta reunião saiu um tratado de paz e foi criada uma organização comum denominada “The Brotherhood”, mais tarde conhecida como “The Family” e, posteriormente, alargada até ao bairro de Brooklyn.

Privados das oportunidades que outros jovens tinham, encontraram soluções criativas e construtivas para si e para as suas comunidades. Trocaram as armas por velhos gira-discos e criaram instrumentos musicais inventando o djing; misturaram passos dos seus anti-heróis dos filmes de kung fu com os passos de dança funk de James Brown e do mambo e inventaram o breakdance; usaram latas de spray de pintura automóvel para pintarem as suas comunidades que, assim, se tornariam mais coloridas e criaram o graffiti; inventaram rimas sobre a sua condição social e a forma de quebrar o ciclo de exclusão e tornaram-se MC’s. Inventaram o Hip-Hop.

Sem saberem, estavam a reescrever a (sua) história e a inventar uma nova cultura urbana juvenil que viria a tornar-se global neste início de século, e com uma enorme influência nas crianças e jovens de todo o mundo. Sob o lema «Peace between all gangs and a powerful unity» iniciaram um período de construção, pela positiva, das suas identidades e das suas comunidades. Precisamente no lugar onde o Mayor de Nova Iorque, anos antes, chegou a profetizar que «dali nada de bom surgiria», provaram que eram capazes. Afinal, o Mayor enganou-se.

Onde Nova Iorque acaba
Ao visitar estes lugares, quase 40 anos depois da cultura ter aparecido no South Bronx, a primeira sensação que se tem é que um longo caminho foi percorrido. Em dois sentidos. Primeiro, porque a viagem é muito longa. A linha n.º 2 do metro, que nos leva desde a Rua 42, em Times Square, percorre um longo caminho até à Rua 161, em Washington Heights. Daí, o caminho do autocarro BX6 é, também ele, muito longo. De facto, o South Bronx continua a ser um local fora do mapa turístico de Nova Iorque. Quando alguém, como eu, pede indicações para lá chegar, a pergunta continua a soar estranha: «Tem a certeza de que quer lá ir?», perguntavam na estação de metro.

Mas a ideia de que um longo caminho foi percorrido invadiu-me também quando cheguei ao local. Onde estão os edifícios queimados como nas fotos de Martha Cooper? Por onde andarão os Black Spades ou os Ghetto Brothers? O bairro mudou muito.

Efectivamente, os investimentos feitos nas últimas décadas têm trazido infra-estruturas muito importantes ao South Bronx. O novo estádio dos New York Yankees ou o Bronx Museum of Arts, equipamentos que permitem um fluxo constante de gente para o interior desta comunidade, garantem transportes públicos, gerando também empregos e pequenos negócios laterais.

Mas a minha maior dúvida era perceber se, de facto, o South Bronx teria beneficiado do crescimento do Hip Hop e da sua disseminação. Para isso, nada melhor do que falar com quem diariamente trabalha na comunidade e acompanha o processo. Visitei, pois, um dos pólos de desenvolvimento da comunidade, «The Point», uma organização local que promove a inclusão social através do Hip-Hop e da cultura, no seu sentido mais lato.

Onde a comunidade encontra a criatividade
«The Point» (
www.thepoint.org) é uma organização local sem fins lucrativos, fundada em 1994 por quatro residentes no bairro. Para o meu anfitrião, Danny Peralta, «o segredo da organização é aproveitar as potencialidades e não ver as pessoas apenas como parte do problema mas também da solução.». A única coisa que lamentam é o facto de não terem chegado mais cedo àquele bairro.

Na sede da organização, todos os dias, mais de 150 jovens participam em actividades como expressão dramática (existe um teatro totalmente equipado na sede), fotografia (numa parceria com o Centro Internacional de Fotografia), culinária no “Point Cafe” (onde fazem os melhores pratos vegetarianos do bairro, com alimentos oferecidos por uma ex-modelo que doou um milhão de dólares em alimentos vegetarianos, tendo sido criada uma empresa de catering, a Bascom), artes circenses (numa parceria com o Cirque du Soleil), danças latinas, breakdance, estúdios de música, ateliers de Graffiti, entre muitas outras.

O papel do Hip-Hop aqui é fundamental. Diversas personalidades ligadas à cultura participam activamente em eventos, como é o caso recente de Kool Herc, ou a Tats Cru (
www.tatscru.com) que aqui reside há vários anos, desenvolvendo variados projectos artísticos ligados ao graffiti e à street art, formando jovens para serem activos e empreendedores na comunidade. Exemplo disso mesmo é o embelezamento das fachadas das lojas da comunidade, que se tornaram mais atractivas, bem como as intervenções em murais de paz e de apelos à não-violência que a Tats Cru promove.

Outra forma muito interessante de valorizar o Hip-Hop na comunidade, passou por outra iniciativa da «The Point» que organiza visitas culturais guiadas aos locais onde a cultura surgiu. Nas denominadas South Bronx Tours, salientaria a visita «Mambo to Hip-Hop» que nos leva pelos salões de dança onde originalmente se dançava o Mambo no bairro, mostrando-nos como, aos poucos, o breakdance foi surgindo. Estas visitas incluem ainda contactos com alguns dos primeiros Wall of Fame do bairro ou a visita a espaços míticos como o n.º 1520 da Sedgwick Avenue, onde decorriam as famosas blockparties do DJ Kool Herc. Aqui pretende-se, aliás, criar o futuro Museu do Hip-Hop, numa estrutura que permitiria abrir, ainda mais, o bairro ao resto da cidade, valorizando um património único que está, actualmente, disperso.

Pós Hip-Hop
Apesar dos benefícios que o Hip-Hop trouxe de volta ao South Bronx, os seus malefícios foram também tremendos. De facto, para Danny Peralta, «o Hip-Hop teve o seu clímax no South Bronx algures na década de 90, estando em claro declínio nos últimos anos». Isto deve-se, sobretudo e muito, à massificação do bling-bling e do gangsta rap que fez diversas vítimas na comunidade. O espírito inicial da cultura tem vindo a perder-se para desespero dos seus fundadores.

De facto, se o Hip-Hop possibilitou que organizações como “The Point” se tornassem pólos de mobilização de recursos e apoios, revertendo-os para a comunidade, também foi o Hip-Hop menos consciente que fez, novamente, disparar o crime violento (o South Bronx continua a apresentar as taxas mais elevadas de criminalidade no estado de Nova Iorque), a prostituição e as mensagens machistas, homofóbicas e violentas.

Este é o outro lado da moeda e que muito custa a compreender aos fundadores do Hip-Hop. De facto, pessoas como o DJ Kool Herc e o DJ Red Alert têm passado muito tempo dos últimos anos a fazer chegar esta mensagem àqueles que deram continuidade ao que eles iniciaram, tentando demonstrar-lhes que o caminho é exactamente o contrário ou, como ele próprio diz, «it’s not about keeping it real, it’s about keeping it right».

Para os que ali residem, o futuro do Hip-Hop está em reconstrução. Danny Peralta fala-nos de uma nova «estética emergente que passa, para já, pela fusão do Hip-Hop com o rock». Os jovens estão a aprender a tocar instrumentos como guitarra, baixo e bateria (como faziam os músicos jazz e rock do bairro vizinho do Harlem no período pré Hip-Hop) e andam a experimentar novas fronteiras criativas. O que nos dizem é que, dentro de 10 anos, ali «surgirá algo de novo que, mais uma vez, trará inovação ao resto do mundo».

Não duvidamos. Tem sido sempre de baixo para cima que a inovação se processa e é preciso lembrar que, apesar de ser ainda das comunidades mais pobres norte americanas, foi ali que nasceram e/ou cresceram figuras como Rock Steady Crew, Afrika Bambataa, Kool Herc, Grandmaster Flash, Fat Joe, Keith Haring, para citar alguns hiphopers, ou Al Pacino, Jennifer Lopez e Colin Powell, para referir outras individualidades.

O Bronx continua a ser o distrito mais pobre do país, em que 50 por cento das pessoas vivem abaixo do limiar da pobreza, mas ninguém lhes pode retirar a capacidade criativa e de inovação. Apesar do percurso ser ainda longo, ele faz-se caminhando e a mudança é já visível.

Pese embora as muitas dúvidas e inquietações, venho do Bronx com uma certeza: se em Portugal, subitamente, num movimento colectivo, todos(as) os MC’s, DJ’s, b-boys, writers e produtores, decidissem dedicar algum tempo a comunidades como esta, partilhando o seu know-how, de forma construtiva e positiva, na edificação de um país mais justo e solidário, o impacto seria tremendo. Se alguns decidissem criar associações como «The Point», se outros se voluntariassem, sobretudo num período de crise como aquele que atravessamos, seria uma enorme onda de esperança. E essa, mais tarde ou mais cedo, traz a mudança.

Carving (and Paiting) Urban Environments

Call for papers
Interstices: Carving (and Paiting) Urban Environments
Segundo seminário internacional organizado pelo grupo de pesquisa On walls
Lisboa, ISCTE, 9-11 de Julho de 2009
Seminário interdisciplinar sobre os usos intersticiais do espaço público urbano. Apelando a diferentes áreas disciplinares, o grupo de pesquisa On Walls, reunindo investigadores de diversas universidades europeias, convida académicos, investigadores, técnicos e agentes culturais a debaterem a cidade contemporânea e os modos de apropriação do espaço urbano por parte dos cidadãos.
Comissão Organizadora:
Ricardo Campos (Centro em Rede de Investigação em Antropologia)
Andrea Brighenti (Universidade de Torino)
Pedro Neves (GRAUU Colectivo Cultural)
Apoio:
Centro em Rede de Investigação em Antropologia
Envio de propostas e comunicações:
As propostas devem ser enviadas até 15 de Maio e incluir resumo da comunicação (em português e inglês) e breve Curriculum Vitae. As comunicações devem ser enviadas até 12 de Junho.
E-mail:
rmocampos@yahoo.com.br
Idiomas do seminário:
Inglês e Português

Apresentação do seminário:
Interstices: Carving (and Painting) Urban Environments

The people who truly deface our neighbourhoods are the companies that scrawl giant slogans across buildings and buses trying to make us feel inadequate unless we buy their stuff. They expect to be able to shout their message in your face from every available surface but you’re never allowed to answer back. Well, they started the fight and the wall is the weapon of choice to hit them back.
Banksy

WHO
‘On Walls’ is an independent and international research group on walls and practices related to writing on walls and wall writers (muralists, graffiti writers, street artists, etc). We are interested in artefacts (objects), practices (producers), as well as in the relationship between the wall and the city (aesthetics, architecture, and urban spaces). The rationale of the group is to exchange views and research experiences, to circulate each other’s articles, and discuss research agendas. While the background of some of us is ethnographic, we are methodologically open to the most diverse perspectives. From a disciplinary point of view, we expect to cover a range from cultural studies, urban studies, through sociology, to criminology, and beyond.

WHAT
In the second edition of the On Walls seminar we would like to tackle the issue of urban interstitial spaces. We look at the city as a cultural artefact, a complex symbolic object that offers an extraordinary historical account of different practices, ideologies and imaginaries of its inhabitants. Urban space is a repository of significant cultural expressions, a stage for individual and collective performance. The result of conflicting wills and powers, the lived city is a testimony to the power of human agency against powerful historical and social determinants. The corporeal city therefore represents, for many, a fundamental strategic resource, an opportunity for the dispossessed, marginalised or merely ignored to exercise power and organise alternative, resistant, or counter-hegemonic discourses. Identities and projects are forged within the boundaries of spatial appropriations, revealing the creative ways by which urban agents may transform meanings, spaces and discourses.
The point of departure for the seminar is the attempt to define interstitial practices and places in contemporary metropolis. We are interested in the view from below into the planning of space and the ways in which creative and resistant practices – including graffiti, street art, busking, activism, and other forms of urban exploration – act upon and intervene into residual spaces. Improvisation, challenge, and bricolage, but also playful as well as angry statements on the neoliberal city and urban inequalities, make their way through interstitial spaces, often as a way of talking about the dominant distribution of urban in/visibilities.
We would like to raise a number of questions and consider them both at the theoretical and methodological levels:
– How to conceptualise, discover and describe urban interstices?
– What is the place and function of these intersticial places in an ordered and disciplined urban environment? How do these spaces contribute to the construction of the city and its representations?
– What happens in urban interstices? What type of phenomena, events, social interaction do these spaces attract?
– How do walls concur in the definition of interstitial areas in the city? What happens to walls in urban interstices? How are they used in interstices?
– What kind of relation can we find between more alternative and underground street performances/practices and the official/mainstream cultural practices and discourses (official art, advertising, political propaganda, etc.)?
– How are practices of graffiti, street art, busking, and activism related to urban interstices?

Isabel Cardana
(secretariado)

CENTRO EM REDE DE INVESTIGAÇÃO EM ANTROPOLOGIA (CRIA)
[FCSH-UNL FCT-UC ISCTE UM]
Sede:
Av. Forças Armadas, s/n - Ed. ISCTE
Salas 2N7 e 2N9 / Cacifo 237
1600-083 Lisboa PORTUGAL
Tel: +351 21 790 39 17
Fax: +351 21 790 39 40
E-mail:
mailto:secretariado.cria@gmail.com
Website:
http://www.ceas.iscte.pt/cria
Freestyle é a nova revista nacional dedicada à comunidade Hip-Hop. Com edição bimestral, o primeiro número chega às bancas esta semana, dia 28 Março, à venda em todo o país (ilhas incluídas), em qualquer papelaria, pelo preço de 4,50€
Entre outros conteúdos, a edição de Abril/Maio inclui: MC Royalistick, Sam The Kid o Produtor, DJ Kwan, Writer BLE, registo fotográfico especial Breakdance, artigos de opinião e crítica de álbuns.



Noticia:H2TUGA

MAR 16 de Abril


"Não perguntes o que o Graffiti pode fazer por ti , pergunta sim o que tu podes fazer pelo Graffiti"

Visual works by MAR

DIA 16 DE ABRIL, POR VOLTA DAS 19H .....APAREÇAM

A violência é um ciclo

Boss AC, Luis Boa Morte, Valdjiu e Virgul são algumas das personalidades que participam na campanha contra a violência promovida pelo ACIDI, I.P. e lançada no passado dia 18 de Março, com o objectivo de procurar no testemunho e na experiência de personalidades que se afirmam pelo seu talento e mérito, o exemplo e a justificação de que um ciclo de violência pode terminar no momento em que se faz a opção certa pela arma que não destrói, mas constrói.

Nesta sessão foi lançado o site oficial da Campanha “A Violência é um ciclo. Tu podes Pará-lo.”, onde será possível acompanhar todas as actividades que serão realizadas no âmbito da campanha: http://www.tupodesparar.com/

Porque o dia é histórico e o discurso muito bom

Meus caros concidadãos:

Aqui estou hoje, humilde perante a tarefa à nossa frente, grato pela confiança que depositaram em mim, consciente dos sacrifícios que os nossos antepassados enfrentaram. Agradeço ao Presidente Bush pelo seu serviço à nossa nação, assim como a generosidade e a cooperação que demonstrou durante esta transição.

Quarenta e quatro americanos fizeram até agora o juramento presidencial. Os discursos foram feitos durante vagas de crescente prosperidade e águas calmas de paz. No entanto, muitas vezes a tomada de posse ocorre no meio de nuvens espessas e furiosas tempestades. Nesses momentos, a América perseverou não só devido ao talento ou à visão dos que ocupavam altos cargos mas porque Nós o Povo permanecemos fiéis aos ideais dos nossos antepassados e aos nossos documentos fundadores.

Assim tem sido. E assim deve ser com esta geração de americanos.

Que estamos no meio de uma crise, já todos sabem. A nossa nação está em guerra, contra uma vasta rede de violência e ódio. A nossa economia está muito enfraquecida, consequência da ganância e irresponsabilidade de alguns, mas também nossa culpa colectiva por não tomarmos decisões difíceis e prepararmos a nação para uma nova era. Perderam-se casas; empregos foram extintos, negócios encerraram. O nosso sistema de saúde é muito oneroso; para muita gente as nossas escolas falharam; e cada dia traz-nos mais provas de que o modo como usamos a energia reforça os nossos adversários e ameaça o nosso planeta.

Estes são indicadores de crise, resultado de dados e de estatística. Menos mensurável mas não menos profunda é a perda de confiança na nossa terra - um medo incómodo de que o declínio da América é inevitável, e que a próxima geração deve baixar as expectativas.

Hoje eu digo-vos que os desafios que enfrentamos são reais. São sérios e são muitos. Não serão resolvidos facilmente nem num curto espaço de tempo. Mas fica a saber, América - eles serão resolvidos.Neste dia, unimo-nos porque escolhemos a esperança e não o medo, a unidade de objectivo e não o conflito e a discórdia.

Neste dia, viemos para proclamar o fim dos ressentimentos mesquinhos e falsas promessas, as recriminações e dogmas gastos, que há tanto tempo estrangulam a nossa política.

Continuamos a ser uma nação jovem, mas nas palavras da Escritura, chegou a hora de pôr as infantilidades de lado. Chegou a hora de reafirmar o nosso espírito de resistência, de escolher o melhor da nossa história; de carregar em frente essa oferta preciosa, essa nobre ideia, passada de geração em geração; a promessa de Deus de que todos somos iguais, todos somos livres, e todos merecemos uma oportunidade de tentar obter a felicidade completa.

Ao reafirmar a grandeza da nossa nação, compreendemos que a grandeza nunca é um dado adquirido. Deve ser conquistada. A nossa viagem nunca foi feita de atalhos ou de aceitar o mínimo. Não tem sido o caminho dos que hesitam – dos que preferem o divertimento ao trabalho, ou que procuram apenas os prazeres da riqueza e da fama. Pelo contrário, tem sido o dos que correm riscos, os que agem, os que fazem as coisas – alguns reconhecidos mas, mais frequentemente, mulheres e homens desconhecidos no seu labor, que nos conduziram por um longo e acidentado caminho rumo à prosperidade e à liberdade.

Por nós, pegaram nos seus parcos bens e atravessaram oceanos em busca de uma nova vida.

Por nós, eles labutaram em condições de exploração e instalaram-se no Oeste; suportaram o golpe do chicote e lavraram a terra dura. Por nós, eles combateram e morreram, em lugares como Concord e Gettysburg; Normandia e Khe Sahn.

Tantas vezes estes homens e mulheres lutaram e se sacrificaram e trabalharam até as suas mãos ficarem ásperas para que pudéssemos viver uma vida melhor. Eles viram a América como maior do que a soma das nossas ambições individuais; maior do que todas as diferenças de nascimento ou riqueza ou facção.

Esta é a viagem que hoje continuamos. Permanecemos a nação mais poderosa e próspera na Terra. Os nossos trabalhadores não são menos produtivos do que eram quando a crise começou. As nossas mentes não são menos inventivas, os nossos produtos e serviços não são menos necessários do que eram na semana passada ou no mês passado ou no ano passado. A nossa capacidade não foi diminuída. Mas o nosso tempo de intransigência, de proteger interesses tacanhos e de adiar decisões desagradáveis – esse tempo seguramente que passou.

A partir de hoje, devemos levantar-nos, sacudir a poeira e começar a tarefa de refazer a América.

Para onde quer que olhamos, há trabalho para fazer. O estado da economia pede acção, corajosa e rápida, e nós vamos agir – não só para criar novos empregos mas para lançar novas bases de crescimento. Vamos construir estradas e pontes, redes eléctricas e linhas digitais que alimentam o nosso comércio e nos ligam uns aos outros.

Vamos recolocar a ciência no seu devido lugar e dominar as maravilhas da tecnologia para elevar a qualidade do serviço de saúde e diminuir o seu custo. Vamos domar o sol e os ventos e a terra para abastecer os nossos carros e pôr a funcionar as nossas fábricas. E vamos transformar as nossas escolas e universidades para satisfazer as exigências de uma nova era.

Podemos fazer tudo isto. E tudo isto iremos fazer. Há alguns que, agora, questionam a escala das nossas ambições – que sugerem que o nosso sistema não pode tolerar muitos planos grandiosos. As suas memórias são curtas. Esqueceram-se do que este país já fez; o que homens e mulheres livres podem fazer quando à imaginação se junta um objectivo comum, e à necessidade a coragem.

O que os cínicos não compreendem é que o chão se mexeu debaixo dos seus pés – que os imutáveis argumentos políticos que há tanto tempo nos consomem já não se aplicam. A pergunta que hoje fazemos não é se o nosso governo é demasiado grande ou demasiado pequeno, mas se funciona – se ajuda famílias a encontrar empregos com salários decentes, cuidados de saúde que possam pagar, pensões de reformas que sejam dignas. Onde a resposta for sim, tencionamos seguir em frente. Onde a resposta for não, programas chegarão ao fim.

E aqueles de nós que gerem os dólares do povo serão responsabilizados – para gastarem com sensatez, reformarem maus hábitos e conduzirem os nossos negócios à luz do dia – porque só então poderemos restaurar a confiança vital entre o povo e o seu governo.

Não se coloca sequer perante nós a questão se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. O seu poder de gerar riqueza e de expandir a democracia não tem paralelo, mas esta crise lembrou-nos que sem um olhar vigilante o mercado pode ficar fora de controlo – e que uma nação não pode prosperar quando só favorece os prósperos. O sucesso da nossa economia sempre dependeu não só da dimensão do nosso Produto Interno Bruto, mas do alcance da nossa prosperidade; da nossa capacidade em oferecer oportunidades a todos – não por caridade, mas porque é o caminho mais seguro para o nosso bem comum.

Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos como falsa a escolha entre a nossa segurança e os nossos ideais. Os nossos Pais Fundadores, face a perigos que mal conseguimos imaginar, redigiram uma carta para assegurar o estado de direito e os direitos humanos, uma carta que se expandiu com o sangue de gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos abdicar deles por oportunismo.

E por isso, aos outros povos e governos que nos estão a ver hoje, das grandes capitais à pequena aldeia onde o meu pai nasceu: saibam que a América é amiga de todas as nações e de todos os homens, mulheres e crianças que procuram um futuro de paz e dignidade, e que estamos prontos para liderar mais uma vez.

Recordem que as primeiras gerações enfrentaram o fascismo e o comunismo não só com mísseis e tanques mas com alianças sólidas e convicções fortes. Compreenderam que só o nosso poder não nos protege nem nos permite agir como mais nos agradar. Pelo contrário, sabiam que o nosso poder aumenta com o seu uso prudente; a nossa segurança emana da justeza da nossa causa, da força do nosso exemplo, das qualidades moderadas de humildade e contenção.

Nós somos os guardiões deste legado. Guiados por estes princípios uma vez mais, podemos enfrentar essas novas ameaças que exigem ainda maior esforço – ainda maior cooperação e compreensão entre nações. Vamos começar responsavelmente a deixar o Iraque para o seu povo, e a forjar uma paz arduamente conquistada no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos inimigos, vamos trabalhar incansavelmente para diminuir a ameaça nuclear, e afastar o espectro do aquecimento do planeta.

Não vamos pedir desculpa pelo nosso modo de vida, nem vamos hesitar na sua defesa, e àqueles que querem realizar os seus objectivos pelo terror e assassínio de inocentes, dizemos agora que o nosso espírito é mais forte e não pode ser quebrado; não podem sobreviver-nos, e nós vamos derrotar-vos.

Porque nós sabemos que a nossa herança de diversidade é uma força, não uma fraqueza. Nós somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus – e não crentes. Somos moldados por todas as línguas e culturas, vindas de todos os cantos desta Terra; e porque provámos o líquido amargo da guerra civil e da segregação, e emergimos desse capítulo sombrio mais fortes e mais unidos, não podemos deixar de acreditar que velhos ódios um dia passarão; que as linhas da tribo em breve se dissolverão; que à medida que o mundo se torna mais pequeno, a nossa humanidade comum deve revelar-se; e que a América deve desempenhar o seu papel em promover uma nova era de paz.

Ao mundo muçulmano, procuramos um novo caminho em frente, baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo. Aos líderes por todo o mundo que procuram semear o conflito, ou culpar o Ocidente pelos males da sua sociedade – saibam que o vosso povo vos julgará pelo que construírem, não pelo que destruírem. Aos que se agarram ao poder pela corrupção e engano e silenciamento dos dissidentes, saibam que estão no lado errado da história; mas que nós estenderemos a mão se estiverem dispostos a abrir o vosso punho fechado.

Aos povos das nações mais pobres, prometemos cooperar convosco para que os vossos campos floresçam e as vossas águas corram limpas; para dar alimento aos corpos famintos e aos espíritos sedentos de saber. E às nações, como a nossa, que gozam de relativa riqueza, dizemos que não podemos mais mostrar indiferença perante o sofrimento fora das nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem prestar atenção aos seus efeitos. Porque o mundo mudou, e devemos mudar com ele.

Ao olharmos para o caminho à nossa frente, lembremos com humilde gratidão os bravos americanos que, neste preciso momento, patrulham desertos longínquos e montanhas distantes. Eles têm alguma coisa para nos dizer hoje, tal como os heróis caídos em Arlington fazem ouvir a sua voz. Honramo-los não apenas porque são guardiões da nossa liberdade, mas porque incorporam o espírito de serviço; uma vontade de dar significado a algo maior do que eles próprios. E neste momento – um momento que definirá uma geração – é este espírito que deve habitar em todos nós. Porque, por mais que o governo possa e deva fazer, a nação assenta na fé e na determinação do povo americano.

É a generosidade de acomodar o desconhecido quando os diques rebentam, o altruísmo dos trabalhadores que preferem reduzir os seus horários a ver um amigo perder o emprego que nos revelam quem somos nas nossas horas mais sombrias. É a coragem do bombeiro ao entrar por uma escada cheia de fumo, mas também a disponibilidade dos pais para criar um filho, que acabará por selar o nosso destino.

Os nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com que os enfrentamos podem ser novos. Mas os valores de que depende o nosso sucesso – trabalho árduo e honestidade, coragem e fair play, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo – estas coisas são antigas. Estas coisas são verdadeiras. Têm sido a força silenciosa do progresso ao longo da nossa história. O que é pedido, então, é o regresso a essas verdades. O que nos é exigido agora é uma nova era de responsabilidade – um reconhecimento, da parte de cada americano, de que temos obrigações para connosco, com a nossa nação, e com o mundo, deveres que aceitamos com satisfação e não com má vontade, firmes no conhecimento de que nada satisfaz mais o espírito, nem define o nosso carácter, do que entregarmo-nos todos a uma tarefa difícil.

Este é o preço e a promessa da cidadania.

Esta é a fonte da nossa confiança – o conhecimento de que Deus nos chama para moldar um destino incerto.

Este é o significado da nossa liberdade e do nosso credo – é por isso que homens e mulheres e crianças de todas as raças e todas as religiões se podem juntar em celebração neste magnífico mall, e que um homem cujo pai há menos de 60 anos não podia ser atendido num restaurante local pode agora estar perante vós a fazer o mais sagrado juramento.

Por isso, marquemos este dia com a lembrança do quem somos e quão longe fomos. No ano do nascimento da América, no mais frio dos meses, um pequeno grupo de patriotas juntou-se à beira de ténues fogueiras nas margens de um rio gelado. A capital tinha sido abandonada. O inimigo avançava. A neve estava manchada de sangue. No momento em que o resultado da nossa revolução era incerto, o pai da nossa nação ordenou que estas palavras fossem lidas ao povo:

“Que o mundo que há-de vir saiba que... num Inverno rigoroso, quando nada excepto a esperança e a virtude podiam sobreviver... a cidade e o país, alarmados com um perigo comum, vieram para [o] enfrentar.”

América. Face aos nossos perigos comuns, neste Inverno das nossas dificuldades, lembremo-nos dessas palavras intemporais. Com esperança e virtude, enfrentemos uma vez mais as correntes geladas e suportemos as tempestades que vierem. Que seja dito aos filhos dos nossos filhos que quando fomos testados recusámos que esta viagem terminasse, que não recuámos nem vacilámos; e com os olhos fixos no horizonte e a graça de Deus sobre nós, levámos adiante a grande dádiva da liberdade e entregámo-la em segurança às futuras gerações.

VSP 2008

No próximo dia 27 de Novembro, a Visual Street Performance – VSP – considerado o maior evento expositivo ligado ao graffiti e à arte urbana em Portugal, abre a sua edição de 2008, na rua do Norte 103/105, Bairro Alto, em Lisboa. Este ano, a VSP conta com uma parceria estabelecida com o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, através do Programa Escolhas, onde se pretende desenvolver um trabalho, durante o evento, com um grupo de jovens com interesse e aptidão para trabalhos de natureza artística e visual, originários de bairros onde o Programa Escolhas se encontra implementado, de modo a acompanhar e participar na edificação, montagem e período de exposição.

Centrado em torno de uma exposição colectiva, o evento tem-se pautado pela interacção com um vasto público, contando com actividades paralelas como a música, sessões de pintura e graffiti com convidados nacionais e estrangeiros, debates sobre a intervenção no espaço público, projecção de filmes ligados à temática do graffiti e arte urbana, workshops e orientação e interacção artística.


A VSP (www.visualstreetperformance.com) ocupa este ano, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, um edifício antigo no Bairro Alto, cuja condição semi-devoluta e desocupada oferece condições ideais para expressar as propostas e ambientes que tem vindo a propor e a explorar, na transição de uma actividade de rua para um espaço interior.

'Rappers' com causa - LILIANA DUARTE E SARA GOMES - in Visão

«Os problemas do bairro» mas também os do mundo. É disso que nos fala o hip hop feito na Cova da Moura. Mas porque é que nunca ouvimos falar destes nomes?

Na Cova da Moura, o novo estúdio de música da Associação Cultural Moinho da Juventude é o orgulho dos jovens rappers do bairro. Há mais de dez anos que esperavam por este espaço. Assim, o hip hop da Cova ganha novo fôlego. «Agora, temos tudo a nosso favor: um bom estúdio e um grupo de MCs unidos. Está criada uma base para o futuro», afirma SDD, um dos músicos do bairro. A história do hip hop da Cova da Moura, nas margens de Lisboa, começou a escrever-se há quase 20 anos. «Tínhamos coisas para dizer. Precisávamos de falar dos problemas do bairro e do mundo. E quando os grupos de hip hop começaram a surgir, reuníamo-nos para discutir os temas das músicas», recorda Lord Strike, um dos primeiros a fazer beats numa comunidade onde a maioria da população é de origem cabo-verdiana. O crioulo faz, por isso, parte da identidade musical da Cova. Para muitos dos MCs essa é a sua língua, mas junto das editoras acaba por ser um dos principais entraves. «Dizem-nos para cantarmos em português. Mas hoje toda a gente ouve kizomba e funaná...», diz Kromo di Ghetto. LBC Soldjah acrescenta: «Ninguém quer ouvir falar dos problemas reais.»

Estes músicos não desistem. «O hip hop é a única hipótese de mostrar a Cova da Moura através dos nossos olhos», diz Stef. «E, aqui, os nossos olhos são a nossa voz.» Kromo di Ghetto A VERDADE INCONVENIENTE A única música de intervenção que se faz hoje em dia é o rap.» As palavras são de Kromo di Ghetto, para quem esta é a única explicação para o hip hop do bairro não interessar às editoras. «Falamos de uma realidade dura e, por isso, inconveniente. As pessoas preferem tapar os olhos e os ouvidos. Ninguém quer assumir o que se passa em bairros como a Cova da Moura.» Kromo di Ghetto é o nome escolhido por Celso Lopes: «Kromo é uma abreviatura para cromossoma. Quando canto, represento um cromossoma do gueto, como se estivesse a dizer que faço parte do seu ADN.» De origem cabo-verdiana, este MC tem 25 anos e trabalha como mediador sociocultural, no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Se alguém acredita que estes músicos se vão calar, Kromo refuta essa hipótese: «Se os problemas não forem resolvidos, o rap vai persistir. Não desistimos.» Afinal, a lei do rap é «educar as massas» e «quem não a respeitar, não está a fazer rap. Aqui no bairro, isso não é aceite.» As letras de Kromo falam de racismo, pobreza, agressão, revolta. Porque, explica, querem ser «um murro no estômago» de quem detém o poder. «Não posso falar de festa, de boa vida, quando não vivo nada disso.» Kromo vê-se como sobrevivente numa época de guerra. «Viver na Cova e ser preto é sobreviver.»

REEBOK HIPHOP KINGZ

1º FESTIVAL REEBOK HIPHOP KINGZ @ PAVILHÃO LOMBOS (CARCAVELOS)

No próximo dia 5 de Outubro irá decorrer o 1º Festival Internacional Reebok HipHop Kingz.

Decorrerá em dois períodos distintos: tarde e noite do dia 5 Outubro (Domingo)

Este festival tem por objectivo divulgar as diversas vertentes da cultura HipHop, proporcionando momentos de especial e agradável entretenimento.

O Festival terá nomes internacionais como Afu-Ra (USA), Masta Killa (do grupo histórico Wu Tang Clan (USA), DJ P.F Cuttin' (USA, Blahzey Blahzey), JRO (do grupo Alkaholiks, USA) e nomes importantes do panorama nacional como Black Company, Dealema, NBC, Mundo Complexo, Nigga Poison, Royalistick, Nerve, Bob Da Rage Sense entre outros…

Grande Festival de Outono que celebra com o país o Dia da Implantação da República.

REEBOK HIPHOP KINGZ
Preço: 15 euros
Horários: 15h as 02h00
Bilhetes online: www.sohiphop.com.pt
À venda também no local, e nas lojas Fnac

www.reebokhiphopkingz.comwww.myspace.com/reebokhiphopkingz

HIP HOP - POBREZA STOP

HIP HOP - POBREZA STOP é uma iniciativa da Fundação FILOS apoiada pela RTP, Antena 3 e Correio da Manhã, com o objectivo de encontrar novos talentos nas áreas de RAP e Graffiti, apreciando trabalhos artísticos e musicais originais dedicados ao tema da Pobreza/Exclusão Social .

Podem concorrer trabalhos em duas áreas do HIP HOP - RAP e Graffiti - para angariar 10 novos talentos seleccionados por um Júri e pelo público, com vista a actuarem numa grande gala no dia 17 Outubro - Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, no Pavilhão Multiusos de Gondomar.

As candidaturas deverão ser enviadas, de 31 de Julho a 31 de Agosto de 2008, por email para hiphop.filos@gmail.com ou por correio postal para a seguinte morada: Fundação FILOS Rua Costa Cabral 929 4200-225 Porto

Podem consultar o regulamento em: http://ww1.rtp.pt/programas/index.php?article=2270&visual=4

Casa do Hip Hop de Diadema

http://pages.udesc.br/~poeticasdourbano/video_rap.htm

Nos bairro no CENTA

Ver detalhes actualizados diáriamente em: http://centa2008.blogspot.com/

De 28 de Julho a 2 de Agosto as associações Freestylaz e Khapaz em conjunto com vários colectivos da Cova da Moura, Monte Caparica, Outorela Portela, Barronhos, Laranjeiro, Arrentela, Musgueira e Almada promovem um encontro no CENTA – Tapada da Tojeira, Salgueiral – junto a Vila Velha de Ródão.

Alojados no campo e despojados das dinâmicas diárias, o colectivo propõe a criação de um ambiente de trabalho comum a todos os participantes, representantes de várias comunidades e interesses, que lhes faculte a capacidade de replicar os produtos e conclusões num futuro próximo: nas suas cidades, territórios, bairros.

A iniciativa foi proposta em conversas informais, por diversas sedes e espaços, sendo determinada a sua necessidade da forma mais lata possível para que todos os intervenientes exerçam funções no seu planeamento e execução.
Desse modo, em assembleia realizada no primeiro dia, decidiram-se os principais objectivos deste encontro:

Usufruto da música, em especial do Rap, como instrumento unificador dos vários participantes. Trabalho em equipa na construção de rimas e de músicas com temas comuns. Partilha das diversas técnicas de produção de beats e de gravação;

- Estruturação de uma rede alargada entre os diversos colectivos, de apoio mútuo para a aquisição de soluções partilhadas de produção e gravação, observatório de territórios, divulgação de projectos, escoamento de produtos artísticos. A rede também deve servir como elemento legitimador do movimento e de auto-defesa ;
- Utilização de elementos em Vídeo para a promoção das produções musicais e documentar todos aspectos relacionados com o encontro;
Recurso à World Wide Web para divulgação de todos eventos relacionados com o encontro e com a rede;
- Debate e discussão dos problemas afectos às realidades territoriais dos diversos colectivos, bem como do Estado do Mundo e a afectação dos problemas globais no nosso quotidiano;
- Incentivar a criação de contra-informação que desmistifique os preconceitos veiculados pela imprensa mainstream sobre os diversos territórios envolvidos;
- Programar a itinerância da rede, prevendo não só o seu alargamento como também o seu acesso por outros agentes, colectivos e organizações.