graffiti e inovação urbana

Antes de mais queria pedir desculpa aos visitantes habituais deste blogue por não estar a postar com a mesma frequência nos últimos dias. Trabalho e investigação têm-me tirado o tempo para fazer algumas das coisas que mais gosto. Esta é uma delas :\
Uma ideia a explorar: o graffiti como estratégia de inovação e revitalização urbana. É algo que vou explorar na minha tese e que ultimamente me tem despertado interesse. Há uns tempos falei aqui da Urban Artworks, em Seattle. Hoje quero desenvolver um pouco mais esta estratégia.
Poderá o graffiti ser entendido enquanto factor de inovação social? De acordo com Henderson (1993) os processos de inovação social caracterizam-se por duas características centrais:
- a inovação social confronta-se sempre com a inércia das instituições
- a inovação social é geralmente um processo “bottom-up” ou seja, na maioria dos casos, parte da iniciativa dos cidadãos – é um exercício de democracia deliberativa.

Numa área degradada de Seattle entre a Fourth e a Sixth Avenue, área denominada como o Sodo, Mike Peringer decidiu em 1997 apostar no graffiti como estratégia de inovação social e territorial. Peringer era na altura presidente do Sodo Business Association e deparava-se diariamente no seu trajecto até ao local de trabalho, através do Busway (uma espécie de corredor apenas destinado aos transportes em autocarro), com um espaço devoluto, cheio de tags ameaçadores, “seringas e preservativos” (Seattle Post-Intelligencer). Uma “no go area”.

Para Peringer aquele espaço surgia-lhe como uma enorme tela na qual muitos dos jovens de Seattle, alguns deles em risco, poderiam exprimir-se. Peringer juntou assim o interesse do Sodo Bussiness Association e de alguns parceiros públicos, tais como o município e os serviços de reinserção social locais (muitos dos jovens eram encaminhados ao abrigo daquilo que em Portugal corresponde às Medidas tutelares educativas). Desta forma foi criada a Urban ArtWorks, uma instituição sem fins lucrativos que visa a integração de jovens em risco através da promoção do graffiti enquanto potencialidade.
O Metro Busway é na actualidade um enorme canvas onde sereias, bombeiros e alienígenas convivem, sendo conhecido como o Sodo Urban Art Corridor.

A criação faseada deste espaço de arte urbana tem permitido o envolvimento de inúmeros jovens ao longo dos últimos 9 anos (logo em 1997 foram envolvidos 700 jovens), restituindo a utilização deste espaço à comunidade ao ponto desta área da cidade ser hoje apontada em roteiros turísticos como uma área de interesse para quem visita Seattle, bem como uma área a visitar em guias de arte urbana da cidade de Seattle.

www.urbanartworks.org

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